Se não sabe, não faz

12 12 2007

Meses atrás, Nolan Bushnell (criador da Atari) disse categoricamente que os jogos atuais são “um lixo”.  Algo parecido foi dito por Keita Takahashi, criador do “Katamari Damacy”. Para eles e para mais um punhado de criadores, designers e programadores de jogos, não existe mais criatividade no atual mercado de games. Bom, eu não queria jogar lenha na fogueira não, mas vou ser obrigado a discordar.

Veja bem, é verdade que o mercado atual está cheio de jogos que se encaixam na categoria “mais do mesmo”. Mas boa parte dos títulos que fazem sucesso hoje (Halo 3, Assassin’s Creed, Gears of War etc) tem algo a mais para oferecer além de matar, degolar e explodir.

Eu, por exemplo, sei que o próximo GTA vai trazer a mesma fórmula de “soca o cara / rouba o carro / mata o gangster / ganha respeito da mulherada / etc”. Mas isso não quer dizer que a criatividade das crianças birrentas da Rockstar acabou. Afinal, se o jogo fosse diferente disso, não precisava chamar GTA. O que faz valer a pena aqui é o roteiro. A história.

Já se foi o tempo em que um quadradinho ficava quicando de um lado para o outro da tela. Hoje os games são mais que games. Eles são filmes. São sagas. A história do “Half Life 2: episode 2” parece até capítulo de novela mexicana.
Não é preciso reinventar o videogame. Basta que ele tenha conteúdo. É claro que criar novos conceitos para games não é algo que brota dos poros dos designers e, por isso, merece seu crédito. Mas a criatividade pode ser expressa de diferentes formas dentro de um game.

Mergulhe pelo mundo de Assassin’s Creed e você verá (além dos problemas com bugs) um verdadeiro mundo virtual que, por si só, já conta uma história. Algo que pode não trazer um conceito totalmente novo de se jogar, mas que trás uma maneira absurdamente rica de se contar uma história.

Nolan Bushnell é um dos meus ídolos. Mas ele também é de uma era onde bastava alguns pontos luz em um monitor para entreter adolescentes por tardes inteiras. O mundo evoluiu. Nós jogadores também. Amamos os clássicos e amamos Katamari. Mas também queremos uma história para contar. Se Nolan e Keita não sabem como fazer, é melhor deixar para quem sabe.


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