Au au au, Portal é animal…

17 12 2007

Esse é o tipo de coisa que eu tento evitar. Sabe, quando a gente acaba gostando demais, não consegue enxergar os defeitos. Foi assim com Portal, um dos cinco jogos do The Orange Box (pacote da Valve que também inclui HL2, HL2:episode1, HL2:episode2 e Team Fortress2) para PC, XB360 e PS3.

A trama do jogo se desenrola no Aperature Science, um laboratório secreto onde experimentos questionáveis são realizados para o bem de todos – com exceção daqueles que morreram. Esse laboratório é uma espécie de concorrente de Black Mesa (Half Life) na busca por tecnologia de ponta. O principal (e aparentemente o único) experimento do laboratório é o Portal Device, um dispositivo capaz de criar portais do tipo “buraco de minhoca” (manja de física?).

Bom, na prática, o Portal Device funciona assim: com um botão você cria um portal azul em qualquer parede lisa; com outro botão, você cria um portal laranja; você entra por um portal e sai pelo outro. Simples assim. E tem que ser simples mesmo, já que o jogo exige muita habilidade e sincronia para resolver os desafios propostos nos experimentos.

Mas a melhor parte do jogo não é a ciência a serviço da humanidade, nem os quebra-cabeças viscerais. A melhor parte do jogo é a GLaDOS (Genetic Lifeform and Disk Operating System), um super-cérebro-artificial com uma multi-personalidade feminina psicótica, mentirosa e dissimulada, dublada por Ellen McLain, atriz e cantora de opera que também empresta sua voz para os outros jogos – aliás, ela é a única pessoa que tem sua voz em todos os jogos do Orange Box.

Não se sabe o que aconteceu com os cientistas do Aperature Science, mas a GLaDOS tem autonomia suficiente para comandar todo o laboratório através de câmeras, um complexo sistema de macacos hidráulicos e metralhadoras inteligentes. Ela utiliza prisioneiros como cobaias para experimentos com o Portal Device, com a promessa de um “delicioso bolo” aos sobreviventes.

GLaDOS foi a verdadeira grande idéia em Portal. A história acaba por se desenrolar em torno dela e de sua psicose. Mesmo as escassas informações sobre a personagem “principal”, Chell, são fornecidas pela própria GLaDOS. Ela é a sua única companhia durante todo o jogo (o Companion Cube não conta) e com sua voz sintetizada e vacilante, deixa claro que há algo de errado com o desenrolar dos experimentos.

Portal é um jogo breve, com dificuldade moderada que exige bons reflexos e algumas gramas de tutano. Mas, graças a GLaDOS, também é um jogo envolvente, com humor inteligente na dose certa, muita paranóia gratuita e pequenos detalhes e referências que dão ainda mais profundidade à trama. E, para aqueles que tiverem peito para terminar o jogo, GLaDOS guarda um presente especial nos créditos.

The cake is a lie.
The cake is a lie.
The cake is a lie.
The cake is a lie..?


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